NR-1 e o cenário atual da saúde mental no trabalho
- Luciana Peixoto contato@luhpeixotopsi.com.br
- 19 de abr.
- 2 min de leitura
A atualização da NR-1 consolidou a obrigatoriedade da identificação, avaliação e gestão dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho, inserindo a saúde mental no centro das estratégias de Segurança e Saúde do Trabalho (SST).
Essa mudança acompanha um cenário global de aumento expressivo dos agravos relacionados à saúde mental, com impacto direto nas organizações.
Dados recentes apontam que:
• Mais de 1 bilhão de pessoas no mundo vivem com transtornos mentais, evidenciando a magnitude do problema em escala global. Fonte: OMS (WHO);
• Há um crescimento significativo de afastamentos do trabalho por transtornos mentais, impactando diretamente absenteísmo, produtividade e custos organizacionais. Fonte: Tribunal Superior do Trabalho (TST);
• Fatores como sobrecarga de trabalho, conflitos interpessoais, falta de apoio e organização inadequada do trabalho estão diretamente associados ao adoecimento mental no contexto ocupacional. Fonte: Mental Health UK;
• Estudos indicam que intervenções isoladas têm efeito limitado, sendo necessária uma abordagem integrada que considere cultura organizacional, liderança e estrutura do trabalho. Fonte: JMIR (2025);
Além disso, diretrizes internacionais reforçam que a promoção da saúde mental no trabalho deve incluir ações estruturais, como melhoria das condições de trabalho, prevenção de riscos, adaptação das demandas e combate ao estigma. Fonte: OECD.
Nesse contexto, a gestão dos riscos psicossociais deixa de ser uma iniciativa pontual e passa a ser uma exigência estratégica, diretamente relacionada à sustentabilidade, ao desempenho e à responsabilidade organizacional.
Principais fatores de risco psicossocial no trabalho
A NR-1 estabelece a obrigatoriedade da identificação e gestão dos riscos psicossociais. Embora não defina uma lista fixa, a literatura técnica aponta fatores recorrentes no ambiente de trabalho que impactam diretamente a saúde mental e devem ser considerados no processo de avaliação e intervenção:
Exigências e carga de trabalho:
sobrecarga
metas irrealistas
pressão por desempenho
Controle e autonomia
baixa autonomia
excesso de supervisão
pouca flexibilidade
Suporte social e relações de trabalho
falta de apoio da liderança
conflitos interpessoais
isolamento
Assédio e violência no trabalho
assédio moral
assédio sexual
práticas abusivas
Reconhecimento e recompensas
falta de valorização
ausência de feedback
remuneração percebida como inadequada
Organização do trabalho
processos desorganizados
comunicação falha
indefinição de papéis
Jornada de trabalho
excesso de horas
trabalho noturno
ausência de pausas
Ambiente físico
ruído
iluminação inadequada
condições insalubres
Demandas emocionais
exposição constante a situações estressantes
necessidade de regulação emocional contínua
Transparência
falta de clareza de papéis e responsabilidades
ambiguidade
conflitos de função
Cultura e clima organizacional
competitividade excessiva
baixa segurança psicológica
Equilíbrio trabalho–vida pessoal
invasão do trabalho na vida pessoal
falta de limites
Compatibilidade entre função e perfil
desalinhamento entre demandas e habilidades
inadequação às características individuais (incluindo neurodiversidade)
O Método Prisma NR-1 permite que os fatores de risco psicossocial sejam analisados de forma integrada, conectando contexto, pessoas e organização do trabalho.
Essa abordagem favorece intervenções mais eficazes, sustentáveis e alinhadas tanto às exigências normativas quanto às necessidades reais da empresa.




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