De trabalhadora adoecida a gestora, de gestora a empreendedora.
- Luciana Peixoto contato@luhpeixotopsi.com.br
- 19 de abr.
- 3 min de leitura
Atualizado: 22 de abr.
Como minhas experiências no trabalho em diversas posições, aliadas à minha formação e experiência clínica me possibilitaram criar o Prisma Saúde Mental e ajudar empresas e trabalhadores a construir ambientes de trabalho mais saudáveis e produtivos.
Desde muito cedo, o trabalho atravessa a minha história.
Comecei a trabalhar aos 17 anos. Sempre tive muita facilidade para aprender, enxergar falhas nos processos e pensar em melhorias. Mas, ao longo da minha trajetória, muitas vezes me deparei com chefias inflexíveis, pouca transparência e quase nenhuma autonomia. E, quando um ambiente funciona assim, o que se vê é previsível: trabalhadores desmotivados, sem espaço para contribuir e sem esperança real de crescimento.
Aos 23 anos, quando entrei no serviço público, percebi que tinha um pouco mais de autonomia sobre o meu trabalho. Em contrapartida, havia poucos recursos, pouco suporte das lideranças e muitos processos fragilizados. Eu e meus colegas, muitas vezes, fazíamos o que era possível. Isso gerava despadronização, desgaste e conflitos entre as equipes.
Ainda assim, foi nesse percurso que aprendi a observar com mais profundidade o trabalho real: os processos, os ruídos, os limites das equipes, as posturas de liderança e os efeitos de tudo isso sobre as pessoas.
Quando me tornei gestora, tentei fazer diferente. E não foi simples. Encontrei resistência às mudanças, falta de recursos materiais e humanos, além de uma equipe já bastante desmotivada. Mas, aos poucos, fui apostando em algo que considero essencial até hoje: transparência, escuta e gestão participativa.
Com o tempo, algo começou a mudar. As pessoas pareciam mais motivadas, mais à vontade para apontar falhas nos processos e mais dispostas a propor melhorias. A equipe passou a lidar melhor com as dificuldades do cotidiano, inclusive com a escassez de recursos, porque já não se sentia tão silenciada ou apartada das decisões.
Hoje, na clínica, uma das queixas que mais escuto de adultos está relacionada ao trabalho. Vejo pessoas extremamente capacitadas, criativas e comprometidas adoecendo em ambientes onde não se sentem valorizadas, onde não encontram espaço para expor ideias e vivem sob ameaça constante, insegurança e medo do desemprego. Pessoas que tentam sustentar a produtividade, mas vão sendo consumidas pelo esgotamento e pela falta de perspectiva.
Não se trata de culpar, de forma simplista, trabalhadores ou empresas isoladamente. Esse é um fenômeno amplo, estrutural e bastante disseminado. Mas o fato de ser frequente não o torna aceitável. E, principalmente, não deveria nos levar a naturalizá-lo.
O mundo do trabalho sempre foi duro. Mas hoje ele exige cada vez mais raciocínio, criatividade, adaptação, comunicação e capacidade de resolver problemas. E isso não se sustenta com pessoas esgotadas.
Trabalhadores adoecidos podem até continuar produzindo por algum tempo, mas dificilmente conseguem inovar, agregar valor e sustentar processos saudáveis. Da mesma forma, excesso de competitividade não gera necessariamente melhor desempenho: muitas vezes, só aumenta os atritos e desorganiza as equipes.
Foi dessa vivência, dessa observação e dessa escuta que nasceu o Prisma Saúde Mental.
O Prisma nasce da convicção de que ambientes de trabalho mais saudáveis não dependem apenas de boa vontade, mas de gestão mais lúcida, lideranças mais preparadas, processos mais coerentes e compromisso real com a saúde mental das pessoas.
Empresas que desejam se manter relevantes precisarão pensar diferente. Precisarão ser mais flexíveis, mais transparentes e mais capazes de acompanhar as mudanças do mercado, da tecnologia e das relações de trabalho.
Porque toda tecnologia precisa de pessoas. E pessoas precisam estar saudáveis para sustentar o que constroem.
Pense nisso!




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